Numa época de planejamento urbano centrado nas pessoas, Cidades de 15 minutos“olhos na rua”, e espaços públicos ativos, os estacionamentos são frequentemente vistos como a antítese dos ideais urbanos contemporâneos. Mas nem sempre foi assim. Se hoje desafiam arquitetos e urbanistas a reinventá-los em busca de soluções mais sustentáveis mobilidade e cidades mais humanasno passado foram testemunhas de uma transformação radical na forma como nos movemos, habitamos e percebemos o espaço urbano. Outrora símbolos da modernidade, garagens de estacionamento incorporou o auge de uma época em que o automóvel era visto como uma força motriz do progresso. Esta mudança de significado revela-as como muito mais do que estruturas utilitárias – são reflexos poderosos da evolução do urbanismo, da tecnologia e dos hábitos sociais ao longo dos últimos dois séculos.
A nossa relação com o automóvel é complexa e, em muitos aspectos, paradoxal. Mesmo cinquenta anos depois, A observação de Baudrillard ainda ressoa: o carro é uma extensão da esfera doméstica – um espaço onde os indivíduos, mesmo longe de casa, se sentem protegidos. Esta dependência, ligada à imagem do automóvel como símbolo de liberdade individual, perpassa diferentes camadas da cultura. No Filme vencedor do Oscar Nenhumpor exemplo, o veículo torna-se ao mesmo tempo uma casa e um emblema de emancipação pessoal.






