
Aqueles que trazem dor desfrutam do sofrimento de suas vítimas. Os perpetradores gostam de permanecer ligados às mentes das suas vítimas e permanecer nelas enquanto viverem, se, claro, as vítimas tiverem a sorte de sobreviver. Ouvimos inúmeras histórias de pessoas que desaparecem sem deixar rasto, deixando para trás um vazio de incerteza. Não sabemos se eles estão vivos ou se suas almas estão clamando de algum lugar além. O que faz O telefone preto 2 insuportável da melhor maneira é a sugestão de que nenhuma alma descansará até que seja encontrada – ou, neste caso, até que seus corpos sejam encontrados.
A sequência nos leva de volta a Finney e Gwen Shaw. Quatro anos depois de Finney ter matado o Grabber (Ethan Hawke), em outubro de 1982, Gwen (Madeleine McGraw) começa a ter os mesmos sonhos assustadores que teve na época dos assassinatos. Suas visões agora se concentram em uma série de assassinatos brutais em um acampamento nevado – Alpine Lake Camp, o mesmo acampamento que sua falecida mãe, Hope (Anna Lore), frequentou. A habilidade psíquica de oniromancia de Gwen ficou mais forte, e quando ela recebe repetidamente ligações misteriosas no telefone preto, ela segue sua orientação até aquele mesmo acampamento.
Finney (Mason Thames) ainda luta para se recuperar do trauma infligido pelo Grabber. Embora tenha acabado com a vida do assassino, o Grabber de alguma forma reaparece – através dos sonhos de Gwen – em busca de vingança pelo que Finney fez. Desta vez, seu objetivo é muito mais sinistro: destruir o que Finney mais ama: sua irmã.
No acampamento, Gwen é acompanhado por Finney, seu novo namorado Ernesto (Miguel Mora) e alguns outros, incluindo o supervisor do acampamento, Armando “Mondo” Reyes (Demián Bichir), sua sobrinha Mustang (Arianna Rivas) e dois funcionários. Mondo, movido pela culpa e pelo propósito, dedicou a sua vida a encontrar os corpos das crianças mortas anos antes. Quanto mais eles descobrem, mais claro fica que o passado e o presente estão interligados – e que o mal do Agarrador não morreu, mas se transformou.
As sequências dos sonhos são absolutamente arrepiantes – tão vívidas que confundem a linha entre os vivos e os mortos. Em um momento horrível, Gwen enfrenta o Grabber em um pesadelo que se transforma em realidade. Cada visão expõe outra camada de verdade: sua mãe não foi apenas vítima de seu próprio tormento psíquico, mas parte de uma conexão muito mais sombria que remonta às origens do Grabber. Os espíritos das crianças assassinadas imploram pela libertação, enquanto a presença fantasmagórica do Grabber se agarra à vida através deles, alimentando-se da sua inquietação.
Veja, meu caro leitor, adoramos filmes de terror porque eles expandem nosso senso de admiração. Mas também expõem a anatomia do mal: o que é, como funciona e por que nunca morre de verdade. O Grabber não é apenas um serial killer – ele é uma força que prospera no controle, mesmo além da morte. Ele mantém as almas de suas vítimas em cativeiro, mantendo seu domínio na vida após a morte. Mas esse poder começa a desmoronar quando Gwen o confronta de frente.
Scott Derrickson, retornando à direção, faz a escolha certa ao explorar o trauma, a dor e a conexão geracional por meio do terror sobrenatural. Algumas cenas são assustadoramente belas e emocionalmente devastadoras – especialmente aquelas entre Gwen e o espírito de sua mãe. O filme mergulha mais fundo na mitologia sem perder o núcleo humano que fez o original Telefone preto inesquecível.
Muitas vezes se pergunta: por que fazer uma sequência de um grande filme? Por que arriscar diminuir seu mistério? Mas O telefone preto 2 ganha sua existência. É mais inteligente, mais ousado e muito mais espiritual do que o esperado. Tinha que ser contado – não havia outra escolha.



