O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou neste sábado (5) uma proposta para proibir que militares, delegados ou policiais sejam cedidos para atuar como assessores nos gabinetes da Corte.

A proposta de alteração no Regimento Interno do STF já havia sido adiantada durante a semana ao presidente do Supremo, Edson Fachin, e foi agora formalizada por Mendes para que seja apreciada pelos demais ministros.
A ideia surge em meio Ă Â escalada da crise entre os ministros Alexandre de Moraes e AndrĂ© Mendonça. Cada um, por exemplo, possui dois delegados da PolĂcia Federal os assessorando em seus gabinetes.
Para Mendes, a presença desses policiais nos gabinetes representa o risco de que decisões sobre a condução de investigações, que seria de exclusividade da autoridade policial, estejam sendo transferidas para o Supremo.
O texto apresentado pelo decano prevĂŞ que servidores das carreiras militares e policiais possam atuar em atividade de segurança dos gabinetes, mas que seja “vedada a participação na instrução de inquĂ©ritos ou processos e em atividades de assessoramento jurĂdico”.
Outro trecho diz que “caberá ao Presidente do Supremo Tribunal Federal providenciar o imediato retorno aos ĂłrgĂŁos de origem dos servidores atualmente em exercĂcio no Tribunal em desacordo com a regra ora acrescida ao art. 357 do Regimento Interno”. Â
A proposta surge ainda após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ter tentado articular a volta para a corporação dos delegados cedidos ao gabinete de Mendonça, que é relator dos escândalos de fraude financeira e corrupção no Banco Master e do desvio em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Cabe agora a Fachin incluir a proposta em pauta para que seja apreciada e votada por todos os ministros do Supremo.
RelatĂłrios
A proposta do decano vem à tona após Mendonça ter retirado o sigilo, nesta semana, de um relatório da PF em que constam dezenas mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Master, a Moraes, segundo afirmam os investigadores.
Nas conversas, Vorcaro menciona um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo escritĂłrio da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Master. Foram expostas tambĂ©m mensagens em que o ex-banqueiro demonstra ter obtido informações sobre uma possĂvel operação da PF para prendĂŞ-lo.
Logo em seguida Ă divulgação do material, Moraes pediu Ă presidĂŞncia do Supremo a abertura de uma investigação contra Mendonça pelo que disse ser “fortes indĂcios” de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master.
Para embasar suas acusações, Moraes apresentou um relatĂłrio de inteligĂŞncia da PF segundo o qual Mendonça atuaria de forma a direcionar as investigações contra desafetos polĂticos.
O documento, contudo, nĂŁo Ă© assinado e traz a advertĂŞncia de se tratarem de uma análise prospectiva interna, sobre possĂveis caminhos de investigação, e “sem valor probatĂłrio”.




